sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Devaneio

O trem atravessava o trilho como se tremeluzisse os raios que entravam pelas janelas, fechadas por conta do ar em que fomos condicionados.
Ela lia um livro, aparentemente escutava música em seu fone de fios ondulados como a parte de baixo de seus cabelos. A pele branca casava com sua blusa lilás e com a bermuda bege. Do banco em que eu estava não podia ver seus sapatos.
Ele, vestia uma bata roxa e uma bermuda colorida, seus olhos corriam do celular, para a paisagem apressada, para ela. O primeiro olhar foi tão penetrante que ela olhou também, mas ele disfarçou.

Seus olhos claros olharam o trem com antipatia e então ele chegou perto, vislumbrando seus sapatos de cor bege e deseinhos pretos. Ela ficou olhando, ele, estonteado com tamanha simplicidade de beleza.
- Eu não costumo fazer isso, mas com você eu me sentaria na grama e te beijaria sem me preocupar com o tempo.
ESTAÇÃO SANTO AMARO.
Ela desceu.
Ele abriu o caderno e descreveu seus pensamentos.

domingo, 25 de dezembro de 2011

A pessoa que divido minha alma

Pouco posso descrever o que tenho, já coloquei milhões de textos nesse blog, mas agora não tenho mais palavras.
Sou grato por ser uma pessoa que vive nessa terra, nesta época, neste lugar, conhecer as pessoas que conheço e o como elas me amam e me odeiam. No fim, estar vivo é uma aventura constante para quem tem o mínimo de sensibilidade e enxerga o mundo como um lugar curioso e fascinante. Estive em muitos lugares, ouvi muitas pessoas, muitas histórias, compartilhei sensações e momentos, o que me proporcionou uma visão de mundo exageradamente pessoal, intransferível, mas comunicável.

A vida é muito louca, num dia queremos morrer, no outro agradecemos por viver...

Não sou de tradicionalismos, mas acredito que toda virada de ano é um recomeço, eu sinto isso, e à partir de hoje espero ser, sem medo, a pessoa que sou, para realizar minhas aspirações ferozmente, rumo a um caminho de coisas boas e aprendizado espiritual. E tudo isso eu quero com uma pessoa:

Hoje eu amo e sou amado. Ouço e sou ouvido. Quero e sou querido. Sou uma pessoa sortuda de conhecer quem conheci e viver o que estou vivendo. Faz pouco mais de um ano agora, e eu regojizei todo esse tempo, lutando comigo o tempo todo para me deixar amar e amado ser.

A pessoa que divido minha alma foi e é o meu guincho, meu impulso, minha inspiração, a diferença que me faltava, a energia que me completa. A pessoa que divido a minha alma está onde estou, em todos os meus pensamentos, o tempo todo, sem tirar férias ou dar um tempo. A pessoa que divido minha alma é a pessoa que eu amo, e a responsável pela minha felicidade.


[Madonna - Drowned World/Substitute For Love]

sábado, 24 de dezembro de 2011

Reflita!

Nem tudo que um velho fala é sábio
Nem toda criança é sincera
Nem todo religioso fala a verdade
Nem toda mãe é bondosa
Nem toda puta é gostosa
Nem todo professor é inteligente
Nem toda educação tem utilidade
Nem todo amor não tem idade
Nem todo estranho é inaceitável
Nem todo cavalo dado tem dente
Nem todo pensamento suicida é ruim

domingo, 18 de dezembro de 2011

Meu suicídio

Já perdi a conta das vezes que eu desejei e planejei a minha morte. Rápida, indolor, de uma vez, sem nem restar segundos de vida. Não queria me sentir morrendo, queria simplesmente acabar e pronto.
Mas e os outros? Que outros? Quem me cerca definitivamente não me conhece, pouquíssimas são as pessoas que me conhecem de verdade, pra elas seria uma interrogação apenas: como pode uma pessoa aparentemente alegre ter se matado de repente?". Não seria tão de repente assim, tanta coisa passa na cabeça de uma pessoa durante um dia. Pensei em tomar antidepressivos, ouvi gente falando que antidepressivo é "o sorriso de uma criança". Aham...
Não sei quais são os sintomas da depressão, não sei se estou com depressão, não sei de nada. Tive números de terapeutas e psicólogos mas não tive vontade de ligar pra nenhum. Nenhum; eu me conheço muito e não gosto disso, mas também não gostaria de não pensar tanto.

Me desgostei da vida e das pessoas, supondo que há facilidade para quem se apega em alguma religião ou deus. Não me falta amor, me falta auto estima e energia, queria ser mais fútil, mais louco de bom sentido e menos maluco de sanatório.
Eu estragaria a vida de duas pessoas se resolvesse a minha dessa forma, logo isso não estaria certo. Acabei preso em vida, tentando me desvencilhar dessa angústia permanente.

Há um ano atrás eu era feliz de maneira irreversível, forte, acreditava que as pessoas infelizes eram na realidade ingratas e qualquer raio de sol me alegrava. Tudo era mais fácil, viver era bom e morrer era só um lugar muuuuito distante. Eu tinha mil planos, ria das coisas, resolvia com sabedoria e amava o ser humano e seus defeitos.
Hoje, eu sou feliz às vezes, durante pouco tempo, acredito que os felizes não pensam tanto, pra mim viver é dolorido e tento resgatar o que eu era a qualquer custo, pelo meu próprio bem estar. Mas agora os problemas do mundo também me afetam profundamente, o poder corrupto, a classe alta egoísta, a falta de bom senso.

Nada tenho de otimista e qualquer elogio me leva a consciente falsa sensação de que está tudo bem, mas nada está bem e parece que nunca ficará. Eu sou um cérebro ambulante, transbordante de todo tipo de pensamento, tentando e tentando me expurgar por meio da arte e da palavra seca.
Sorrio e vivo, mas não porque quero.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Homens-de-papel-moeda

Eu realmente não entendo alguns homens, vivem a guerrear, armando situações, criando armadilhas, plantando ilusões... Todos esses homens são homens que prezam outros homens, porém, no cataclisma cotidiano onde o dinheiro e a tranquilidade são almejados, esses homens que dependem dos outros são estupidamente apedrejados.
Os homens que abrem o peito pra lutar contra os seus não faz ideia de que a guerra um dia acaba, e que o único homem que pode restar é aquele que ele está matando.
Não existe verdade, não existe realidade, só existe a vontade e a vaidade, e são por essas gêmeas que esse homem morrerá, as mãos que ele lapidou minuciosamente durante os anos, cuidou até então de somente seu interesse e empurrou contra a parede os que um dia lutaram ao seu lado.
Já houve tempo em que eu tivera pena desses homens-de-papel-moeda, hoje eu só quero que eles afundem de uma vez, afinal, sou homem também, e um dia a bondade e o bom senso dão lugar à raiva e ao julgamento. Não lhes desejo vida longa, lhes desejo morte em vida, cozinhando em fogo lento mergulhados na solidão, e se há algo que o dinheiro possa fazer nessa situação é manter aceso o o fogão e quente as duas mãos, as que se tornaram gélidas no processo de lapidação.

Um drink de veneno à vida.


[Cazuza - Blues da Piedade]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Desde que o coringão esteja ganhando...!

Os maiores otários do mundo são os fanáticos por times de futebol. Brigam por um time que toma decisões sem o consentimento deles, tem jogadores que agem e ganham de acordo com o consentimento deles próprios e ainda compram e são comprados sem o consentimento daqueles que não precisam dar seu consentimento pra nada!

Se o trabalhador tem algo é a fé pelo time, time que o leva a gastar voz, energia e dinheiro com um clube que não faz nada pelos torcedores que não seja a arrecadação de mais consumidores de seus produtos, audiência, ingresso e defensores assíduos de um mesmo mercado apenas com ramificações. Pão e circo.
Parabéns ao trabalhador que esquece do salário que ganha (ou que NÃO ganha), esquece da marca da cerveja à mesa, esquece da roupa que veste, das pessoas à volta (esquece até que são pessoas) e esquece inclusive sua ideologia, tudo para sofrer por um bando de porcos que não sabem nem ler e escrever direito, mas que ganham mais que o gerente da empresa em que você trabalha e ainda larga o time do coração por um salário maior e melhores condições de "trabalho".

Vamos torcer pelo time e largar os problemas maiores... quem se importa com a falta de moradia, com os preços abusivos das coisas básicas, com a exploração assalariada, com a desigualdade e a falta de bom senso própria? Quem se importa com a educação, com a saúde ou com o fato de presos terem melhores condições de quem trabalha? Maaaaaaas, ta tudo bem, desde que o coringão esteja ganhando...!

domingo, 27 de novembro de 2011

Tenho coisas mais importantes a fazer!

Eu sempre perco muita vida em internet (talvez só não mais que em trem, metrô e ônibus), e pouco converso diretamente nas redes sociais. O relógio já apontava todos os seus ponteiros para o número oito e eu estava prestes a acordar de verdade.
Meu olho estalado estava grudado como emplastro na tela do monitor, pregador de forma inexorável, o estômago enrugado de vazio e a boca a exalar um admirável quente ácido. Todo o meu corpo doía, dormira seis e não sentira três, e então, a janelinha subiu e um conhecido falou:
- Vamos num manifesto que vai ter hoje no centro?
- Manifesto contra o que?
- Sei lá, acho que contra o capitalismo.
- Não posso, vou trabalhar...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Manual prático de como trabalhar em casa

Para conseguir realizar sua tarefa dentro de casa você precisa de três D's (como sempre): Disciplina, Disponibilidade e Determinação!
É muito difícil não se deixar distrair com outras coisas, afinal, com o mundo todo à sua frente na forma de internet, a TV e todos os seus DVDs disponíveis na prateleira e a cozinha pronta pra ser assaltada, fica difícil se concentrar em uma coisa só quando tudo que te rodeia é seu e está te esperando. Sem falar que nós seres humanos temos coceiras quando o assunto é besteira!
Seja lá qual for o seu projeto, tarefa ou assunto pra resolver em casa, sem ser DA casa, é preciso ter a disciplina de se concentrar só naquilo é mais nada.

- Tenha tempo de sobra. Não pegue uma hora que restou do seu dia corrido pra trabalhar. Isso não funciona e nada sai bom. Tenha o dia inteiro, ou a tarde inteira para fazer o que precisa fazer, sem se preocupar em cumprir suas obrigações como escrava do relógio.

- Coloque-se em um ambiente da casa, o mais apropriado para o trabalho, e faça dele um escritório da chefia de si mesmo. Só vá pra outros cômodos se realmente for necessário!

- Deixe as portas e janelas abertas para o sol e o vento entrarem livremente, assim você não se sente preso num escritório alheio, o que dá mais visão ao seu negócio.

- Barulhos externos só existem se você prestar a atenção neles.

- Tenha sempre um copo de alguma coisa próximo. Não importa se é cerveja, vodca, água, leite, chá, suco... Bebericar algo enquanto trabalha ajuda o cérebro a se desafogar em alguns momentos (fato comprovado cientificamente por mim mesmo!)

- Se vc trabalha no computador, deixe somente o Google aberto e esqueça redes sociais. A não ser que você seja um Forever Alone, vem sempre alguém falar contigo e qualquer barulhinho que você identifique ser de redes sociais já reduz sua capacidade mental de se concentrar só naquilo!

- Estabeleça horários, comece tal hora e acabe tal hora, obedeça a si mesmo! Não acorde cedo a fim de produzir durante o dia todo pra render, porque não vai! Olhe no relógio, não importa se você acordou meio dia e meia (vantagem nº 1 de se trampar em casa), se alimente bem, olhe todas as redes sociais que tem pra olhar e se divirta no pc por uma hora. Depois dessa uma hora passada, desligue tudo e concentre-se em você e no que pretende fazer. Acredite, deixe a diversão pro começo, senão você pode ser pego de surpresa durante a execução da tarefa pensando no recado que você tem que mandar pra não sei quem!

- Se você tem filhos, entretenha-os com qualquer coisa que seja produtiva para o cérebro deles, eles podem até estar no mesmo ambiente que você, desde que façam alguma tarefa importante pra eles também e que exija concentração.

- Sente-se numa cadeira que tenha encosto alto e estofo leve. Trabalhar num banco mais baixo ou mais alto do que o nível da mesa e numa superfície dura, prejudica a coluna, o pescoço, as pernas e os ísquios!

- Levante-se de quarenta em quarenta minutos para andar nem que for até o banheiro. Mas é andar, não fazer mais nada que exija muito. Se estique até a janela e olhe pro céu, isso pode durar cinco minutos, mas é o suficiente pra não se deixar desconcentrar por causa de muita concentração!

- Música? Só se for de elevador. Se você NÃO gosta de MPB, coloque também, vai te relaxar e você não vai prestar atenção na música. Pra algumas pessoas isso não funciona, meu caso, então, às vezes, o silêncio te deixa escutar mais o seu cérebro quando você para e fica olhando pro nada.

- Não deixe que ninguém te atrapalhe. Se for o caso, desligue o celular ou deixe claro para vizinhos que você está ocupado, o que vem de fora é muito perigoso para seu projeto.

- TV ligada, nem ferrando! A TV é um bruxa mentirosa que adora nos enfeitiçar e fazer-nos ficar olhando pra ela nem que for para o programa mais ridículo que estiver passando. Desligue-a e ajude a construir pensamentos melhores pro mundo!

- Quando você acabar tudo, movimente-se e relaxe. É hora de limpar a casa pra se movimentar, e aí a música que você quiser pode rolar solta, ou relaxe à sua maneira! Colocação pós trabalho é comemoração! (frase do mês).

Bom, acho que é só, aos poucos vou colocando mais, se houver necessidade. Agora, vou mergulhar na minha tarefa, pois já perdi meia hora dela escrevendo isso, o que nos leva à outra dica:

- Se você tem um blog, tente esquecer que ele existe!

Fecha a conta e passa a régua que eu vou produzir!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

De saco...

Eu não aguento mais falar sobre ser você mesmo e sobre a dor de existir e sobre as crises de sentimentos e sensações, não aguento falar porque não aguento mais viver essa inconsistência.
Ando de saco cheio de mim mesmo e dos meus pensamentos inquietos, dos meus demônios internos e da realidade irreal que eu só assisto.
Preciso mudar, é uma necessidade e o principal projeto de vida agora. Mudar dói, como viver.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dentro dói

Dói dentro de mim uma dor
uma dor esquisita
uma dor doída
sem causa ou porquê

A dor da beleza,
há dor da juventude,
a dor da plenitude

tenho sede de me libertar
tenho sede de me arrebatar
e me lançar

Não sei dizer de onde vem
Não sei se um dia ela se vai
só sei que agora ela me dilacera

dói e me faz sofrer
sofre e me faz doer

sou dolorido
não finjo,
sei...

sábado, 5 de novembro de 2011

Sem alter egos...

Esse negócio de alter ego bagunçou meu cérebro, se tornou mais da metade de mim e de repente eu já não o controlava mais. No meio da confusão eu não sabia mais quem eu era, repeti padrões velhos, padrões idosos, padrões dos quais eu me propus a matar e pouco fiz. Tentei a naturalidade, mas ela veio forçada, me revoltei, chiei, chorei, desanimei, desenergizei... eu era quase que totalmente um nada, um corpo de carne sem alma própria, somente sensação e palco. Mas um palco não prazeroso, um palco em que eu vagava depressivo e depreciado. Não produzi, não exigi, não encarnei.

Cheguei a duvidar de mim, do meu eu, de quem eu era, do que eu fui e até do que sou...

Consumi tudo que não fosse eu e, que ironia, me mascarei até o rosto pesar e cair no chão, quebrando a minha cara, e logo eu que há tanto luto contra máscaras pessoais e alheias.
Talvez eu esteja me libertando e sendo eu de fato, sem alter egos, egos inchados, egos miseráveis ou ilusões. Do mais, acredito ser só um garoto de 19 anos em crise existencial que, egoistamente, passou a vida glamorizando o próprio existir. Agora, sem ilusões, sem bolhas ou zonas de conforto, procedo buscando a minha realidade e a realidade do mundo e das pessoas tentando, em vão, não me abalar com nada e, ainda em vão, tentando felicidade constante, perpétua e igual.

Quem diz "seja você mesmo" à outra pessoa, não tem noção do que esse conselho representa!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Essas mulheres

É inegável, tenho paixão por mulheres no vocal. Vozes de mulheres, banda de mulheres, música para mulheres... Infelizmente, "mulher" vendo sendo deturpado nesses dias, nos outros, e desde sempre.
Quando é libertada torna-se, reacionariamente falando, desprovida de si própria.
Subliminarmente, menospreza-se a figura da mulher ao mesmo tempo que a exalta a fim de outros preconceitos.
Objeto sexual, sexo frágil, fraca, fraca, fraca...

Feminismo é consequência de repressão, houvera e há e haverá:
Então, vou apresentar, pra você que não conhece, essas mulheres tão admiráveis e apaixonantes em sua pessoa e ideologia, que se elevam acima de qualquer estereótipo ou repressão a sua figura. São artistas, são mulheres, são melhores...

[Elis Regina]

[Marisa Monte]

[Maria Bethânia]

[Gal Costa]

[Ângela Maria e Ângela Ro Ro]

[Vanessa da Mata]

[Simone]

[Cássia Eller]

[Elza Soares]


Não há perfeição maior, não há...

sábado, 22 de outubro de 2011

Palpitação

Fazer amor com o cara que compreende o mesmo mundo que o teu a ponto de morar lá, divide contigo, sem medo, as coisas que tem que ser divididas e tem a compreensão necessária para uma nossa relação de amor, racionalidade, com paixão sem idade, num mundo onde tudo desmorona ao redor, revelando beleza e simplicidade, é como inexoravelmente fazer amor com um universo flexível. Seres humanos são seres humanos e sensações são sempre bem sentidas.

Você é a única coisa que me enche de pacificidade. Não vou te agradecer por existir na minha vida, vou me agradecer por ter te conquistado sabe-se lá como...

A nós!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

REVOLUÇÃO AGORA!

Cada dia que passa fica mais evidente o bunda molismo que a gente, a população inteira, vive. Não, não é mais um texto criticando a sociedade gratuitamente, e se você não estiver a fim de ler use as válvulas de escape que o sistema implantou nesse mundo exclusivamente para isso e suma!

Vou começar com a história que me levou mais uma vez a pensar nisso tudo: minha mãe alugou uma casa, mas o banheiro da casa não tem nada. A advogada do proprietário fez a proposta de a minha mãe reformar o banheiro e o valor gasto ser descontado do aluguel... espera aí! Se eu coloco uma casa pra alugar ela tem que estar no mínimo impecável, não? Ou será que além de pagar o aluguel por mês, pagar o IPTU por ano, ainda tem que reformar o banheiro que vai ficar pra ele pra sempre? Mais trouxas que isso são as pessoas que aceitam esse negócio de pagar imposto do terreno de uma casa que nem sua é, e você já paga aluguel pra isso, pra permanecer na casa durante um período de tempo. Mas sabe por que as pessoas pagam o IPTU mesmo assim? Porque são otárias, nunca contestaram usando a lógica direta e diretamente com o proprietário da casa, e se essa lógica fosse usada por TODOS, NINGUÉM seria tapeado dessa maneira!

Me recuso a abaixar a cabeça e aceitar os pequenos contra tempos (lê-se tapeação) só para evitar problemas futuros ou dores de cabeça. Ta na hora de exigir o pingo no i e ponto! Sem mais ou menos ou tanto faz!
Outro fato que sempre fica na minha cabeça é saber que deputados e toda essa corja que todo mundo sabe que não faz nada, ganha milhares e o salário mínimo de hoje é R$ 545. Supondo que o Brasil chegue na situação que a Grécia chegou, o Estado vai ter que despedir tudo que é funcionário público pra manter o sistema! Então, fode-se a população para que a máquina não se foda! Isso não é lógica de governo, por favor, leia O Príncipe e/ou O Manifesto do Partido Comunista e saiba que existem outras formas de governo.

As pessoas são ignorantes! Ignorantes não por natureza ou condição, ignorantes por escolha! Sabe o nome de todo o time de futebol, paga ingresso pra ir num show do cantor que mais gosta, sabe todas as letras de cor, mas não pensa na miséria em que vive e na sua causa, afinal, política é chata né!

Me pergunto todos os dias quando a revolução pode acontecer, porque as coisas estão cada vez mais erradas (nos trabalhos, no funcionalismo público e em outras empresas das quais dependemos) e a gente continua indo no cinema pra ver algum filme americano e rindo da Janete no Zorra Total. Faz campanhas no Facebook com imagens de desenhos reacionários, mas não sabe nem o número do disque denúncia pra pedofilia, manifestos com imagens na rede social não é manifesto, não é nada!

Eu vou começar uma revolução, não é passeata em Av. Paulista não, é RE-EVOLUÇÃO! Plantar-se na porta do lugar onde as leis são votadas, de peito aberto, com milhares de pessoas em volta, pra mudar, e só sair de lá com o objetivo conquistado. A polícia pode ameaçar, atirar e matar, mas vai sair nas páginas do mundo todo que o Brasil covardemente assassinou aqueles que lutavam por dias melhores! Não vamos trabalhar, ninguém vai trabalhar enquanto o que queremos não for alcançado, pararemos as máquinas, as engrenagens do sistema e não vai ter quem sustente o país, pois estão todos na frente do Palácio Real exigindo condições decentes, exigindo o fim de todo e qualquer imposto, aumento do salário pro povo e redução do salário do Congresso Nacional, educação pública e gratuita para todos e não só pra meia dúzia de burgueses e mais tudo aquilo que a gente acha que tem que ser feito.

Vocês não entendem, isso é urgente, desliguem a porra da tv, a porra do computador e pensem no que pode ser feito, pensem no COMO pode ser feito, não dá mais pra colocar a cabeça no travesseiro e imaginar que amanhã será um novo dia e que Deus nos ajudará! Camarada, NINGUÉM ajudará e amanhã será um dia tão novo quanto ontem, frase feita é desvio de pensamento e não pensar não pode mais acontecer com essa frequência assustadora que acontece.
Pela vida de nós, operários, COMO VAMOS FAZER? QUANDO VAMOS FAZER?

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Esperando, esperando, esperando...

Sobre as pilhas de concreto
o nosso papo aqui é reto
Passa por rios de desgosto,
senta em bancos de solidão
Minhocas gigantes
Monumentos errantes
Meses de manutenção

Dinheiro na mão
cores pra enfeitar os
vários tipos de cartão

O direito de sentar,
o bom senso pra enfrentar
Chuva, molhado
Dia quente, ar-condicionado
Usuários em reclamação
Empresa aumenta o custo
A greve pára o uso

E somos obrigados
temos de pegá-lo,
temos de encontrá-lo
somos todos operários
em busca do nosso horário
Horário esse marcado
pelos nossos empresários

Eles pagam a nossa vida
E não pagam o nosso ouro
e, sem nem latão pra argumentar,
continuamos a esperar

Esperar, esperar, esperar,

Aquele trem passar
aquele trem parar
e se ao menos tivesse lugar
Lugar pra sentar
Depois de um dia desses
a gente perde a fé
e ainda tem que ir de pé

Tem que segurar
e disputar lugar
até a hora que a estação chegar
E pode rezar
pra conseguir sair, enfim
e reunir pertences
e reunir coragem

Para o outro dia
para trabalhar
para produzir
tudo o que não vem pra si
E o vai enriquecer
e vai te empobrecer

Fazer cair cabelo
Pagar o tratamento
daquele câncer novo
que chama-se dinheiro

Aquele que você não vê,
quem vem e paga as contas,
paga o seu suor
e continua a pagar
e o que vai acontecer?

Na manhã seguinte, lá está você
Dez anos mais velho
sempre a esperar
mesmo sem vintém
esperando o trem
esperando a vida
esperando a sorte

Sorte de alguém
que não pode ser você
você está desesperado,
acorda cansado,
e vai pegar o trem
vai pagar o trem
vai pegar o trem
vai pagar o trem...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Já protegido da chuva

Já protegido da chuva, pôde pensar no seu amor, pôde querer o seu querer, pôde sonhar com seu prazer, e assim, em sonhos, feliz permanecer.

Já protegido da chuva, pôde arquitetar os seus futuros, programas, comidas, poesias, tudo, querer o bem, a saudade, a idade, a qualidade.

Já protegido da chuva, pôde rir de verdade, desabrochar sensibilidade, voltar a amar a outra personalidade e, se assim for, transbordar possibilidades.

Já protegido da chuva, pôde amar e, protegido da chuva, amado ser...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Até que o mundo gire ao meu redor...

O mundo é uma péssima influência para a pureza da alma. Percebi isso hoje, às 1:24 da manhã, enquanto, deitado em minha cama, revisitava tempos em que eu fora feliz e sabia bem disso.

O problema são as pessoas, influenciadoras do comportamento e influenciáveis por natureza.
Notei que, com o passar dos anos, tenho me achado erroneamente menos hipócrita, menos humilde, mais irritado, menos feliz, mais racional, menos verdadeiro, menos paciente, mais orgulhoso e mais uma vez menos humilde, não para com os outros, mas comigo mesmo. Schopenhauer tinha razão ao dizer que a humildade é uma hipocrisia, ele também devia ter horror pela não-verdade.

No todo, acredito quer o passar dos anos me deixou mais desacreditado...
Me pergunto se todas as pessoas são assim, encucadas com o mundo e principalmente consigo mesma...

O texto com certeza ficou individualista, mas eu vou passar a bola pra quem ta lendo: você é assim também ou eu preciso de um psiquiatra?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dica Musical: Janelle Monáe

É absolutamente incrível que nesta geração apareça algum cantor ou banda que faça seu espetáculo sem uma preocupação puramente comercial! Vender é preciso, mas o puts puts de hoje em dia é in-su-por-tá-vel. Esse eletro pop cansativo faz parte da alienação do homem, incapaz de pensar sobre o que houve e porque ouve. Música que o faça sentir bem? Pode ser, mas o fato é que se você AMA música, não dá pra ouvir aquela que mente pra você (Hélio Flanders).

O que eu quero com esse post é apresentar (isso se você já não conhece) uma cantora fenomenal, talentosíssima, original acima de tudo, que não usa o corpo pra aparecer e está preocupada em contar a história que se propôs a contar em quatro atos, divididos em 3 discos. O primeiro se chama Metropolis: The Chase Suite I, o segundo The ArchAndroid e o próximo ainda está por vir. Qual é a história? Bom, se você não sabe eu não vou contar, pois, pra mim foi um choque ao descobrir que todas as músicas se interligam de um jeito impressionante!

Fica aqui minha dica musical: Janelle Monáe





[Fecha a conta e passa a régua que eu vou cuidar da conjuntivite]

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Inconsistência

E mais uma vez eu caminho pela estrada da dor e da inconsistência do ser. Às vezes parece que minha agonia não terá fim algum, se eu fosse tema de desfile, seria mórbido, chocante e agonizante. Agradeço a meu cérebro por me privilegiar com pensamentos tão intransigentes e sonâmbulos.
Ser raso é simples como pegar o telefone e magoar um coração encorajado, mas eu temo mostrar a face da verdade e machucar a mentira alheia por tempo definitivo que me leve ao estábulo dos mortos.
Tenho sede de entranhas e pendente paixão profunda pela profundidade pessoal. Quem me olha vê qualquer, mas quem me consome tenta encontrar a diferença talvez forçada que remete a tempos antigos de minha opressão, opressão que pode interferir diretamente na evolução do espírito de maneira degenerativa, falo do meu eu, de um eu confuso e ambulantemente metamorfósico, criado para o consumo e livre arbitrado para uma vida de pensamentos e sonhos. Hoje sou eu, amanhã posso ser outro, me rasgo a massa de pensar e abomino a não-verdade, se quem está aqui não está disposto a se abrir, minha influência, agora externa, se torna inútil e, sendo inútil, procedo afogado na minha insustentável inconsistência do ser...

Porque a maconha não é legalizada

A sociedade está afogada no que dita a mídia e a indústria. Cada vez mais as pessoas estão sendo condicionadas a aceitar o que a INDÚSTRIA quer. Somos, portanto, consumidores treinados.
O cigarro tem uma indústria, aliás, o cigarro tem diversas indústrias. O que vende por aí é o cigarro de filtro vermelho, o branco, o de cravo, o de de menta, o forte, o fraco, o light, o de dois sabores. Aí vem o adesivo pra parar de fumar, a pílula, os remédios do pulmão, o tratamento pra parar de fumar, os remédios, os remédios e os remédios.
A bebida alcoólica tem diversas indústrias também. Tem o rum, o gin, a vodca, a tequila, a cerveja, o saquê, o absinto, o vinho, o whisky, os licores, cidra, o champagne, a cachaça, o vermouth, a grappa, os remédios para o fígado, o tratamento pra parar de beber, os remédios, os remédios e os remédios.

Tudo isso movimenta a indústria e o governo. Empresas de cigarro e bebida pagam um imposto altíssimo por estarem sendo vendidos em todos os lugares, NUNCA vão proibir o cigarro e o álcool, NUNCA vão falir essas empresas e ainda eliminar dinheiro de imposto, portanto, NÃO vão legalizar e maconha tão fácil porque não tem indústria! Você compra a maconha e paga imposto pra quem?
Não é interessante pro sistema vender a maconha como uma coisa que não faz mal à saúde porque a maconha não paga imposto!
Está mais do que provado que o cigarro mata, o álcool mata, e vão continuar matando. Pro sistema também é interessante ter trabalhadores que bebem, pois a bebida aliena o homem, não o leva a pensar, coloca-o em estado de transe e o faz acordar no dia seguinte com o cérebro explodindo. O cigarro tem substâncias absolutamente tóxicas que levam ao vício, o que alimenta empresas como a Souza Cruz e as fármacas.
A maconha abre a mente e coloca o homem em estado filosófico, alterando o sistema nervoso, causando relaxamento e alívio de dores. Ninguém morreu por uso de maconha, ninguém matou por uso de maconha e o mal que ela faz está associada ao excesso, como tudo que existe no universo, afinal, tudo que é usado em excesso faz mal.
Neste caso, o sistema vai marginalizar os usuários e pintar a pior cara que conseguirem da maconha, tudo porque eles não sairão beneficiados com a compra e a venda da planta. Desde sempre a maconha é mal vista. Pessoas que ganham dinheiro vendendo a "droga" só fazem isso por não dispuserem da mesma condição social que você que está lendo este texto. Se a sociedade fosse igualitária, não teria porque ganhar dinheiro de uma forma considerada suja, pois ninguém precisaria disso!

Agora, esqueça todos os preconceitos sobre a maconha que foram colocados na sua cabeça e pense: não faz sentido?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cara Estranho

Somos todos seres mascarados, fingidos e com dificuldade de viver... se você não é assim, por favor, pule este texto e veja a Copinho Produções... falo de profundidade, algo que parece ter se extinguido das pessoas.
Não sei onde anda a sinceridade, onde anda a verdade, estamos sendo enganados o tempo todo por pessoas casa vez mais mascaradas, que ocultam a própria infelicidade e só reclamam do que não tem importância, do que ninguém liga, só falam de sua vida e tem ouvidos fechados para outras bocas.
Um sorriso e um "tudo bem" resolvem toda a situação, mas que importa? Ninguém lhe pergunta "tudo bem?" querendo realmente saber se ta tudo bem ou não. E se a outra pessoa começar a falar, pronto, ela vai ser taxada de resmungona!
Ouvimos tudo superficialmente, não analisamos os fatos, achamos as pessoas fáceis e a vida corriqueira. NÃO! A vida não pode ser corriqueira, eu não quero a vida corriqueira, comum, normal, igual...

Perdi a fé no homem, perdi a fé na vida e penso seriamente em acabar com tudo isso, em fugir desse planeta que eu pareço não me encaixar, e não falo com máscaras, pelo contrário, estou tentando me desfazer delas, mas parece que é impossível sobreviver sem ser FALSO como todas as pessoas são! Não falso no sentido de falar algo e pensar outra, mas no sentido de viver superficialmente, aceitando o que ta bonzinho, galgando a razão de existir no "de boa".

Todo mundo diz que é de bem, ou que é irredutível, que é foda, todo mundo espera ser aceito, ainda quando finge não se importar com isso. Vai ver estejam todos querendo viver uma vida ilusória retratada em todos os lugares, pois, na minha opinião, a vida é como um grande perfil de Orkut, onde você mostra a sua melhor cara, exclui seus defeitos, e se faz poderoso... por outro lado, vamos levando a vida com a barriga, de qualquer jeito, chorando a morte de quem se foi e lamentando o governo de quem está.

Porque um homem não recompensa o outro, ao invés de ficar buscando suas próprias recompensas em cima daquele?

Estou tentando desenrolar este nó, nesse momento, e a sensação que tenho é que a "busca" nunca vai terminar, e não venha me dizer que esse é o barato da vida, o barato da vida é a cannabis e a hipocrisia é não conhecimento!

Falo DESTE tipo de cara, o cara estranho:

Você muda você?

sábado, 10 de setembro de 2011

Show do Vanguart #2

Ontem eu fui em mais um show do Vanguart no Studio SP e encho a boca pra dizer que nem parecia aquela banda que um dia eu presenciara no mesmo lugar há um tempo: a frente do palco estava disputada, o lugar lotado de gente que cantava convulsivamente as músicas do novo disco e enlouqueciam com as antigas, dezenas de admiradores, as tietes de sempre, uísque, água e cerveja e toda a atenção voltada para aqueles artistas, vindos de Cuiabá para fazer música séria e poesia com sua performance folk/rock contemporânea.

Em meio aos elogios já fiz uma crítica, aqui no blog mesmo, sobre um dos shows deles que vira no Centro Cultural, mas acho que essa é a hora de me redimir...

Todos os integrantes da banda estavam ali por inteiro, dando tudo de si, acreditando em sua arte e nós, meros espectadores, tomando um banho de inspiração e sentimentos. Hélio Flanders, muito sincero, encantou a todos, como sempre, e fez nossa noite mais uma vez bonita.


[Você não pode ouvir música que ta mentindo pra você!]


Saiba mais:

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Copinho Produções - Tela do Prazer

Desde Dezembro de 2010 a Copinho Produções passou por uns problemas financeiros e não realizou mais vídeo nenhum, mas agora as vacas gordas começaram a cair do céu e numa produção rica, de câmeras de alta qualidade e com o prestígio que só cresce no mercado, a produtora criativa, independente e o escambau volta com sua mais nova produção: Tela o Prazer, contando um drama com a atriz consagrada Coraline Soares!

Exclusivo no blog:


Outras produções:

domingo, 28 de agosto de 2011

Mão Grande

O Que: Quase assalto
Onde: Em São Caetano do Sul
Quando: Ontem
Quem: Eu, o quase assaltante e dois prováveis cúmplices, três viaturas com sete policiais, uma mulher gostosa e uma piadinha.

Dificilmente eu vou mercado da minha cidade, ainda mais aquele mais próximo da minha casa, recém-inaugurado, jardim na entrada, parede espelhada, passarelas rolantes, lojas no térreo... enfim. Era oito e meia da noite, eu estava sentado em cima da mureta do jardim, entre o portão e as portas de vidro de entrada do mercado. Esperava duas amigas (atrasadas) e, comumente, comecei a brincar com um joguinho incrível no meu celular novo. Não deu dez minutos quando um cidadão, desprovido de sublimidade, pulou em cima de mim gritando pra eu entregar meu celular pra ele. Instintivamente, tirei o celular de seu alcance, me esquivei de suas mãos que tentaram agarrar meu cabelo e entrei no mercado.
- Eu ainda vou te roubar! - bradou o infeliz, frustrado, puto da vida, indo-se embora. Encarei ele com todo o carão que consegui reunir e ele se foi. Percebi uma movimentação estranha ao meu lado e avistei uma garota lamentando algo, meio desesperada, com um outro cara, que passou por mim, também me olhando feio, muito feio, feio até demais.

Me posicionei ao lado de uma das lojas do térreo e, com meu celular seguro na mão, liguei para a polícia. Enquanto explicava a atendente o que ocorrera, observei o casal entrar no banheiro, subir ao mercado, descer sem nada e, quando estavam indo embora, três viaturas chegaram.
Expliquei o que havia acontecido, informei as características, eles deram uma volta pra procurar e no fim, acabei pedindo pra me deixarem em casa.
No meio do caminho, um dos policiais olhou pra uma mulher que passava na calçada e comentou conosco, enquanto o que estava dirigindo mexia no GPS:
- Nossa, que bunda grande... que mulher gostosa - ele se virou pra mim. - Gosta de mulher?
- Não - respondi sem crise e nós três rimos.
No todo eles foram muito simpáticos. Comentaram sobre a forma dos assaltos, enquanto uma senhora chegou de carro em sua casa e foi abrir o portão enquanto deixava o carro aberto, apontando-a como exemplo vulnerável. Disse a ele que a gente nunca tem o que fazer pra se proteger. O policial considerou a probabilidade de aquele cara que quase me assaltou não ser da cidade, mas das regiões vizinhas. Achei pouco provável e quis comentar sobre a falsa sensação de segurança que a mídia mostra de São Caetano do Sul, mas preferi não gastar o meu latim. Quando desci na calçada da minha casa ele me perguntou se eu teria coragem de reconhecer o cara se eles o encontrassem. Respondi que sim. Minha amiga passou por mim e no fim fomos pra casa e pedimos uma pizza mesmo...

Refletindo, depois que contei para os meus amigos que chegaram, percebi que saltei e corri sem nem lembrar da dor excruciante que consumia minhas costas, mas senti-a latejando quando sentei no meu sofá, já longe de assaltantes e policiais. Não fiquei com medo, não fiquei assustado, primeiro eu fiquei confuso achando que se tratava de alguma brincadeira, fiz toda a minha ação sem nem acreditar que aquilo estava acontecendo naquela hora e naquele lugar e por fim acabei com meu sistema nervoso piscando seu alerta vermelho. Quando entrei no mercado e o cidadão me encarou, eu senti que, se ele viesse pra cima, a gente ia se atracar! Afinal, como dissera um dos policiais das três viaturas que chegaram, a tentativa de assalto foi à mão grande, e eu não ia permitir que me roubassem um dos frutos do meu trabalho suado (beeeeem suado!). Não pude fazer nada quanto aos outros que eu desconfiava ser cúmplices, afinal, a polícia não trabalha com suposições, por outro lado, a menina que estava junto com eles mora a uma quadra da minha casa e eu não consegui deixar de pensar em ameaçá-la, se alguma coisa acontecesse comigo, a polícia a procuraria primeiro, mas por fim, me contentei em comer minha pizza reunido com meus amigos em segurança e com meu celular na mão.

Fecha a conta e passa a régua que eu vou tomar cuidado!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mais uma do capitalismo

Ontem entrou uma mulher no trem, como uma criança no colo, pedindo dinheiro pra comprar alimentos pras suas outras duas crianças, todos moradores de um barraco, sem gás há três dias. Nesta hora me bate a dúvida, dou ou não? Confio ou não? Esse papo de você dar, não importando o que ela vá fazer depois, não cola... ou cola?
Tendo recebido o meu pagamento no dia anterior e com todas as minhas idéias revolucionando meu modo de pensar, não pude deixar de reparar e odiar o modo como os bastardos do capitalismo se aproximam de nós, como desgraçados da vida, mendigando a necessidade básica do homem. Minha mãe sempre me ensinou a agradecer pela nossa vida ao vermos gente assim... NÃO! Isso é muito egoísta!
Meu pensamento antigo em relação a isso era o de não dar, pois quem tem braço e perna, pode trabalhar, por outro lado eu não conheço a vida e a rotina dessas pessoas, eu não sei nem quem eu sou direito, ainda mais tentar adivinhá-las...


Mas e aí? Você dá ou não? E por que?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Droga?

No nosso mundo, o governo proibiu a droga e marginalizou os seus usuários. Pois eu vou falar do ponto de vista de quem as usa! Já não basta a vida corrida e o cotidiano estressante e eles ainda querem nos privar de alguns momentos de prazer?
Hoje eu ouvi falar que chocolate e internet viciam também, mas vamos lá: chocolate engorda, internet engorda... Droga mata! Correto? Correto, quando seu uso for excessivo.

Você trabalha oito horas por dia, pega trem e ônibus lotado, respira o ar poluído por fabricantes e donos de escapamentos que estão se lixando pra sua saúde. Você come num restaurante que põe salitro na comida, que fermenta o seu estômago por causa do sódio e do nitrato de potássio, além de ser cancerígeno.
Dinheiro pra traficante? A população inteira trabalha pra encher bolso de político!
O que a droga custa R$ 20 no máximo não chega nem perto do valor do imposto mais alto do mundo.
Tudo bem, reconheço que as drogas mais pesadas matam mais rápido, é melhor mesmo ficar com o trabalho que, ao invés de edificar o homem, cozinha corpo e mente em fogo lento.

Porque a maioria dos usuários de maconha são os jovens? Quem pode entender o mundo forçado para qual todos são jogados diariamente? Desigualdade social é o nome da pior droga de todos os tempos, aquela que gera outras "drogas", a que revolta o homem e mata outros pelas mãos do capitalismo. Lei contra a maconha? Porque não fazem uma lei contra políticos que ganham o triplo do que um escravo do governo [que pode ser o pai de quem está lendo isto, ou você mesmo] ganha?
Param aeroportos por causa de um estoque de cocaína, mas não param os jatos e aviões dos filhos da puta que eu sustento, que estão indo e vindo do exterior para se divertir na Disney, enquanto há viciados em crack pelas ruas: considerados o câncer da sociedade, sem casas, sem roupas, sem condições, mas que ninguém move uma mão para tirá-los daquela situação, a não ser a família, claro, pagadores de impostos, escravos do governo, que ainda tem que tirar dinheiro sabe-se lá de onde para pagar a reabilitação numa clínica porca e mal preparada, nada comparável ao caráter de alguns daqueles que estão nos "representando".
Marginalizar o usuário é fácil, tentar entender o porquê da sua situação parece coisa possível apenas pra santo.

É, meu caro, estamos neste mundo pra morrer, e quem tem que te matar é o governo, não se esqueça disso!

Não quero incentivar o uso da droga, e esse papo de apologia pra mim é hipocrisia.
Fecha a conta e passa a régua que eu vou encher a cara!

terça-feira, 26 de julho de 2011

A minha Amy Winehouse

Desde ontem tenho lido muita coisa a respeito da diva contemporânea da soul music, Amy Winehouse, falecida no dia 23 de Julho de 2011.
Ninguém tocou no principal, apenas na causa da morte, levantando piadinhas e conclusões precipitadas, todas, claro, inúteis. Morre uma das estrelas dessa geração.

Pessoalmente, Amy foi a minha droga no momento de maior angústia da minha vida. Ela me consolou e me surpreendeu, e Frank era o disco que mais me deixava maluco, até ouvir Back To Black.

Este disco parecia ter sido feito pra mim, em Amy afoguei angústias, renasci, relaxei, chorei... sinceramente, não sei o que seria de mim sem sua música pra me aliviar o coração naquele momento.



Tenho a consciência de que falo da Amy como uma deusa, mas ainda acho pouco para o que ela me representou, sendo assim melhor ainda, uma amiga muito profunda. Meu piercing foi por sua causa, uma fuga, minha bebedeira foi por sua causa, minhas gargalhadas e traumas foi por ser seu fã, e agradeço a ti por me proporcionar momentos de intensa liberdade, intensa libertação. Já me falaram que sua voz me hipnotizava como o diabo, mas eram frases geradas por ciúmes, pois minha atenção era mais sua do que a de qualquer outro.
Me fascinei pelo seu cabelo, pelas performances, pelo estilo e personalidade... me encantei por aquela artista excêntrica e absurdamente talentosa. Sua voz me tirou de mim e me levou para um mundo seu que compreendeu todo o meu, e fiz dele meu abrigo e descanso.



Ninguém deveria querer saber do que ela morreu, afinal, ela é a artista como um todo e não cabe ao homem julgar a mente e o sentimento de outro. Amy entra para as lendas dos 27 anos, passou e marcou como uma das melhores cantoras desse mundo e acabou sendo como uma de suas referências eram.

Eis a música com a qual conheci Amy:


[Help Yourself]




Sua morte me machucou.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Relógio. Horário. Minuto marcado. Escravo. Na hora. Estresse. Memória.

Ultimamente tenho me estressado mais, ficado mais irritado com as situações e definitivamente mais envolvido com o mundo que me cerca. Minha calma e paciência perderam pro dia-a-dia, pra rotina, pro horário.
Eu nunca quis ser uma pessoa regrada, com horário pra acordar e pra dormir, pra entrar e pra sair. Tenho tesão naquilo que vai contra o manual de instruções diários e não lógicos que seguimos religiosamente.
É que esse negócio de acordar cedo, trabalhar, voltar pra casa, jantar, dormir, acordar, trabalhar... todos os dias, só funciona quando não se tem um objetivo. Eu tenho um objetivo, e não gostaria de ser uma pessoa intolerante, quadrada, como milhões que convivemos por aí.
Mas então, minha insatisfação com tudo e todos foi esquecida assim que conheci a Neli.

Nos encontramos no ponto de ônibus, Neli era uma senhora ativa, que puxara papo comigo sobre o atraso do ônibus e sobre fones de ouvido e o volume da música. Não quis ser daqueles intolerantes que respondem com monossílabos e fogem do assunto, afinal, valia a pena analisar a companhia e me convencer de que compartilhar histórias é sensacional.
Pois então fomos dialogando no ônibus e depois no trem. Ela me contou sobre sua turma no supletivo, as gírias de suas netas, a saúde de sua mãe, curiosidades sobre Jesus, elogiou minha voz e debatemos sobre sedentarismo. Nesse ínterim, citei minhas queridas ex-alunas e sua incrível disposição. De nada nos gabávamos, pelo contrário, até nos despedimos, já em outra cidade, com um beijo e um abraço de velhos amigos e nos desejando boa sorte antes de nos virarmos cada um para seu lado.

Segui sorridente o meu caminho, pensando na agradabilidade de nosso encontro que fizera o TEMPO passar mais depressa e mais leve.
Mais uma vez desafiei o relógio e fiz quase tudo que planejei fazer naquele dia. Já a noite, outra vez num outro ponto de ônibus, conheci Jaqueline.

Jaqueline era uma garota sorridente, de 18 anos, estudante de Psicologia. Perguntou-me sobre o horário do ônibus e então, de uma maneira que nem me lembro, foi me contando sobre sua confusão sentimental em aceitar ficar com um garoto que era paquerado por muitas meninas. Pacientemente a ouvi e, enquanto ela me falava, me bateu um sentimento que há muito não batia, a sensação de maravilhoso mundo em que minha vida estava... só por causa desses momentos, entende? Era sensacional poder ouvir as pessoas falando, ao invés de resmungando.
Aconselhei-a, contei sobre mim e meu trabalho, ela sobre o dela e então um dos ônibus que eu deveria pegar veio, mas o ignorei, esperei o próximo e fui com ela para papearmos um pouco mais.
Tão logo como começara a nossa conversa, acabou. Ela prometeu me contatar nas redes sociais e me contar o desfecho de sua histórias amorosa, e então, parti novamente, com um sorriso satisfeito estampado no meu rosto.

Nessas relações que começam e acabam bruscamente, constatei mais uma vez o quão escravos do relógio somos e que a rotina poda nossa paciência e calma diante de qualquer coisinha que sai do lugar. Temo reclamar demais e agir de menos, pois assim fujo do que acredito. Não arranca pedaço conversar com pessoas desconhecidas, afinal, são apenas pessoas, e são doloridas e deliciosas, assim como eu...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Deus do Capitalismo

Este Deus foi criado pra desviar o ser humano dos seus próprios pensamentos.
Foi criado para controlar as pessoas com uma regra única.
Foi criado para fazer as pessoas orarem, e não se moverem pra mudar.
Foi criado para a propriedade privada e a valorização da produção.
Foi criado para categorizar o ser humano e distingui-los em espécie.
Foi criado para vender produtos e ditar o comportamento.


Fecha a conta e passa a régua que eu vou encher a cara.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Inquietações

O que me inquieta é a falta de bom senso
é a falta de bom tempo,
o excesso de racionalidade.

O que me inquieta é a vaidade,
é a obtusa personalidade,
é a alma e sua idade.
Para onde estamos indo?
O que estamos seguindo?

Tudo perdeu pra humanidade,
que se diz estável,
mas parece afiançável... que saco!

Em tempos de hoje, o podre sobrevive,
a vida entra em crise
e não há possibilidade.

O que todos buscam é a felicidade,
mas ninguém sai da TV,
vá procurar o que fazer!
Vá começar a viver!

São tantas dúvidas,
tantas questões,
e a gente ainda tenta mudar,
mas só perguntar
não vai adiantar,

É preciso lutar
É preciso gritar... e agir!
É preciso ferir e cuspir,
pra mudar, levantar!

"Ta tudo errado" não vai adiantar,
exigir educação, sem mover uma mão?
Isso não!
Onde fica a ação?

Não dá pra plantar o efêmero
e manter-se catatônico,
quem vai mudar o mundo?

Não espere por alguém,
vá você além e mude os outros,
bem aos poucos,
a fim do que pode mudar,
pois não dá mais pra acreditar no
"tudo que tiver de ser, será!".

sábado, 2 de julho de 2011

Amo

Eu amo o amor sereno, estupendo e irreversível, amo o amor que me coloca em tua conexão, o possível. Se amo o amor que me eleva por causa sua, tremo por conta do acaso de minha carne crua.
O homem é o bicho mais interessante-macabro que existe, e você é uma divindade com rosto humano, a fim de disseminar o bem à humanidade e rasgar meu peito de amor. Não és anjo, és maior que isso, és o ser único e célebre, fruto do meu ardor.

Que seria da claridade do meu mundo sem seu raio de luz pra me completar? Você me fascina, és estonteantemente belo e humano; pra mim, o presente que pedi aos céus.
Quero minha vida pra tua.


[Beyoncé - Rather Die Young]

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Orgulho Gay?

Outro dia um amigo meu me perguntou se eu iria na Parada Gay (a que ocorreu ontem). Lancei um olhar esquisito pra ele, já que não me reconheci naquela pergunta. Parecia-me uma questão muito idiota, era óbvio que não!
Fui uma vez à Parada, provavelmente em 2008, e foi a primeira experiência e a única.

Acho uma burrice e falta de bom senso da grande maioria frequentadora dessa Parada. Vamos aos fatos: se alguma ameaça acontece de ela não acontecer, órgãos específicos entrarão em ação e uma verdadeira luta sobre o direito de se expressar e se manifestar pelos direitos irá ocorrer.
Parada=Manifesto=Direito. É tudo muito bonito na filosofia, mas não foi o que vi e 2008 e não é o que vejo hoje em dia. A Parada Gay é uma balada GLS a céu aberto, praticamente open bar, uma mistura de voyeurismo com dark room de dia e incêndio em granja cheia. Não tem sentido gogo boys em cima de carros promovendo baladas e outros produtos. Drag queens gritando e travestis desnudos estão numa miscelânea de garotos artificialmente afeminados, buscando prazer e/ou caindo bêbados e/ou drogados com "héteros" bagunceiros que curtem tirar a camisa e se fantasiar de profissionais de risco. Além de tudo temos gritos nos trens, bagunça nas estações, promiscuidade nas ruas e o grito da vergonha alheia... como esse povo quer respeito se não se dão o respeito?
A Parada Gay é um carnaval promíscuo de gente louca. É um verdadeiro inferno, pela multidão e pela falta de respeito de um ser humano para com outro... aonde diabos está o manifesto?

Minha indignação é pela luta, desde a história de Stonewall, pelos direitos iguais e humanitários ter se transfigurado para um rebu na avenida Paulista, onde pessoas correm risco de vida, também ficando à mercê de hipócritas carecas e intolerantes de qualquer espécie que matam brasileiros e estrangeiros que se submetem a isso. O caráter revolucionário ficou para trás, dando lugar a uma grande festa comercial que movimenta o capital da grande cidade, afinal, temos hotéis lotados, turismo em alta, comércio em polvorosa e consumidores que servem de fantoche da compra. A Parada Gay é a festa do capitalismo.

Acredito que somos um país atrasado no quesito liberdade (já que, infelizmente, temos uma camada que se diz "cristã" [lê-se preconceituosa] no poder que impede diversos direitos pra esse pedaço da sociedade), mas, atualmente, essa palavra vem sendo confundida com libertinagem.

E, o pior de tudo, o que acontece no outro dia? Tudo volta ao normal, moradores da região finalmente voltam pras suas casas, acaba a coragem dos casais homossexuais de andar de mãos dadas por aí, grande parte dos frequentadores da Parada estão de ressaca, nada muda nos direitos e o que fica é a sensação de "até que enfim que isso acabou!".

Se é pra manifesto, sou a favor, vamos juntos, pois sou a favor da igualdade social em qualquer âmbito, mas se for pra bagunçar e se ridicularizar... beijo, querida, to boa, vou ficar tomando meus bons drink, aquendando uma taba ou meu ocó, só na mocósa porque eu sou fina!

Fecha a conta e passa a régua que eu vou encher a cara.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ideologia pra que?

O mundo me enoja, algumas pessoas me enojam e às vezes me da vontade de sair dessa merda toda chamada sistema, em que todos são condicionados a pensar de um modo pois, são corrompíveis por conta do capitalismo e do trabalho.
Eu queria poder largar tudo e morar na rua, sair desse lixo e só me importar com os restos que eu pegaria pra comer, mas falta determinação porque eu ainda sou um burguês filho da puta que tem ideologia, mas não tem coragem.
Então, nesse ponto, eu ainda tenho idéias revolucionárias, mas estou sendo afogado por desgraçados seres humanos que só visam o próprio rabo.
O que posso fazer enquanto isso? Por hora, remoer minha própria carne e tentar ser a mudança que quero nas pessoas.

sábado, 18 de junho de 2011

Alimentação

Mudei minha alimentação, definitivamente!
Eu sempre pensava em fazer isso lá pelos trinta anos, onde (pra mim) o corpo começava a envelhecer e era melhor começar a me cuidar, mas esse meu decreto entrou em vigor muito antes do planejado.
Quando a gente vê, as coisas NÃO são tão fáceis assim, o corpo NÃO começa envelhecer só após os trinta e se eu mudar minha alimentação só lá na frente NÃO vai adiantar muita coisa.
Envelhecimento da pele, gordura saturada, diabete, problemas de coração e fígado e mais muitos outros poderiam acontecer comigo se minha rotina fosse ainda aquela de almoçar o que dava e não jantar nunca. Afinal de contas, um lanche do McDonald's faz muito mal quando você o consome quatro vezes por semana!
Pois então parei! Pensando em consequências para com o meu corpo e saúde, parei, não abuso de mais nada e ainda tenho receio em lanches fast food.
É claro que nada se corta do nada, é preciso algum esforço e auto controle, um pensamento tipo "Eu não preciso disso, agora" também surte efeito e alguma caminhada faz um beiiiimmmmmm...
Pois é, à partir de hoje sou um pouco mais natural, porque quero chegar nos meus quarenta, com a cara lisa, de coração perfeito, magrrrro e belíssimo... husauhsahuahsa!
(OBS: Parar com a cerveja ainda está fora de cogitação)

Fecha a conta e passa a régua que eu vou comer salada...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

As aventuras de Rose Mattos



Esta é Rose Mattos, a camareira mais amada e famosa do mundo do entretenimento.
Ela que já trabalhou com Roberto Carlos, Guilhermina Guinle, Marília Pêra, e muitos, muitos outros, está aqui no blog com um trabalho incrível onde interpreta sucessos!
Eis aqui o primeiro, gravado no camarim do Mundo da Xuxa, com vocês:
ROSE MATTOS


Filmado por Kall Rodrigues.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Diário de Bordo #5

Então o mundo caiu e não pude deixar de me sentir sem chão aos pés.
Ao mesmo tempo, parecia meus receios todos sendo confirmados.
Aquilo que eu ouvi há muito tempo atrás estava de alguma forma se concretizando!
Fui colocado à prova, estando cada vez mais visíveis os desafios (maiores) a serem vencidos, o que não me assusta, apenas me dá mais sede e garra pra vencê-lo, e não falo vaidosamente, se o fosse não estaria aqui no Alter Ego do Nuti!
A pesquisa aumenta, o empresariado aumenta, as burocracias aumentarão, mas a necessidade de dizer minha verdade será finalmente sanada. Finalmente estarei pleno num trabalho meu.
Não cuspo no prato que comi, na realidade me despeço dele, não para comer de outros pratos, mas para ser um deles.
5 personagens me acompanham e sofrem transformações juntos comigo! Eles e as peles que os vestirão irão me ajudar neste processo tão intimista e revolucionário que será o novo.
E que venha a nova criação...

domingo, 12 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Não quero fazer um post romântico dedicado ao dia dos namorados, nem colocar aquele verso famoso "Eu não passo o dia da árvore com uma árvore, nem o dia dos índio com um índio, muito menos o dia dos finados com um defunto... pra que passar o dia dos namorados com um namorado?"

Só vim dizer que, depois de alguns fatos e antes do presente momento, meu coração era uma geleira tão imensa quanto aquela que afundou o Titanic.
Tive relacionamentos que não faziam meu coração bater de verdade e o que eu chamava de amor era "curtição de momento", e nunca davam certo, ora, eu não gostava, e tampouco tinha paciência para isso.
Mas então as coisas se tornaram diferentes e posso dizer que hoje faço parte do Mundo dos Apaixonados. Piegas? Só pra você que não está nele!
Pois agora sim eu sinto que tenho um coração e que a cada pensamento e lembrança boa com aquela pessoa, ele bate de verdade, como se quisesse rasgar o peito e me dar um sorriso apaixonado!
Acordo todo dia de manhã pensando que estou atrelado a alguém que também está atrelado a mim, passo o dia ocupado e quando consigo respirar, me lembro que essa pessoa está pensando em mim, ela me inspira a ser uma pessoa melhor!
Quando se sente algo como o que eu sinto, tem-se vontade de parar tudo só pra ficar nem que for só um pouquinho com aquele ser que você escolheu pra amar.
E o melhor desse mundo, é que você é correspondido!

Se minha obsessão pela felicidade não tivesse encontrado a sua, talvez não teríamos nos conhecido.

Amar é estar junto mesmo quando todos os caminhos fáceis apontam o outro lado.
Amar é querer aquela pessoa pra vida toda, é sentir a vibração que atravessa os corpos quando eles se tocam.

Em outras épocas, talvez, eu publicaria um verdadeiro manifesto contra essa palhaçada inventada comercialmente, ah, mas quando se ama, meu caro, o mundo fica mais colorido, leve, divertido e definitivamente mais poético, pois a quantidade do meu amor, me faz querer passar a vida toda escrevendo poesia pra te agradar!
Viva o amor, a festa e a devoção dos corações apaixonados!


[Maria Bethânia - Explode Coração]

Diário de Bordo #4

A madrugada é a coisa mais incrível para uma pessoa que cria! Pois é, são duas e três da manhã e eu estou aqui, cercado de livros e cheio de janelas abertas no pc. Estou escutando Mozart e buscando inspiração nas estrelas, que sorriem acanhadas pra mim.
Algumas coisas me causam tanto impacto que tenho vontade de me isolar num quarto com foco único e só sair de lá com tudo criado, mas ao mesmo tempo em que vontade e verdade se embatem, sinto que se não andasse de trem todo santo dia não teria o inventivo imaginário que tenho hoje!

Ainda assim, me sinto impotente pela interferência externa (por isso a necessidade de exclusão). Quanto mais eu me drogo das coisas da vida, menos eu crio algo pertinente para o que há prazo, pessoas envolvidas e necessidade de dizer.
Minha vontade é de pegar tudo e investir no que acredito, sem pensar em mais nada, sei que em breve vou fazer isso, mas não antes que este projeto esteja acabado.

Ai... agora estou finalmente seguro das minhas ideias e pronto para começar com o que tenho em mãos!
À partir da semana que vem, minhas postagens podem ficar mais escassas ou mais numerosas, dependendo da minha necessidade. Pois "necessidade" tem sido a palavra chave para mim ultimamente... por que será que eu tenho tanta vontade de comunicar?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Crítica "4" - Beyoncé



Não é de hoje que estou ouvindo falar que Beyoncé está fazendo uma revolução silenciosa com seu álbum “4”… não está, ele é bem audível e fantasticamente novo, não para o mundo, para a década musical. Sua metamorfose é notável desde o primeiro disco, Dangerously In Love, mas parece que só agora estão notando o valor dessa cantora que já foi injustiçada ao longo de seus anos de carreira. Por ter um corpo bonito, dançar como ninguém e ter músicas emplacando as paradas e as rádios, algumas pessoas podem achar que Beyoncé é só mais uma gostosa com músicas chicletes que não passará de dez anos; bom, ela já está aíi há uns catorze e bem mais uns catorze lhe aguardam.


Pois bem, Beyoncé rodou o mundo com sua última turnê I Am… World Tour e conheceu e pesquisou culturas diversas. Tirou um ano de férias e mais pesquisas para alimentar seu eu artístico e compor seu quarto álbum de estúdio que, em sua primeira edição, vem com 12 músicas das 72 que ela gravou.


O lançamento do álbum no Brasil está previsto para o dia 28 de Junho, mas ele ilegalmente apareceu na internet e milhares de pessoas já escutaram, incluindo eu (embora não me sinta culpado, pois eu sempre compro tudo que achar que tem que ser valorizado, então, eu o compraria e comprarei de qualquer forma). Tenho tesão por encarte, arte do cd e ouvir todas as músicas com a caixinha na mão, admirando… rs!


Anyway, ainda que não tenha a caixinha em mãos, o álbum foi ouvido por milhares de pessoas e eis aqui minha resenha crítica curiosa a respeito deste.


A faixa que abre o "4" é intitulada 1+1, que já foi lançada como single promocional no American Idol. Beyoncé tem uma balada linda e absolutamente sentimental que põe em destaque sua voz e a guitarra.



I Care tem algo de Halo, eu diria, como sua segunda parte, se não fosse a influência indiana presente nesta e na seguinte faixa I Miss You. Que voz! Beyoncé se superou de verdade neste disco.
Graças a Deus a diva não se rendeu ao pop-eletro batidão deste época, fez um álbum só seu, característico e forte.
I Miss You foi apontada como curta de mais, porém, deu a sensação de que era somente aquilo mesmo que ela queria passar, sem saturá-la, e tem a questão da temática da música (Eu Sinto Sua Falta), ora... É também muito semelhante à canções da indiana Ratnabali.
A quarta baladinha do disco e Best Thing I Never Had, que é a única com cara de hit. O coro, a letra, o instrumental são dignos. A faixa é dinâmica e já foi comparada com Irreplaceable (por quem tem necessidade de associar uma coisa boa a outra).
Em Party (feat. Andre 3000), dá pra notar a influência de Prince. A faixa toda é um orgasmo, agradando no primeiro momento. É a mais parecida com Destiny's Child. Party é festivo apenas no nome, é rica em melodia, voz e é indispensável no álbum.

Esse disco resgata a Beyoncé de Dangerously In Love e seu antigo R&B, e o título deve remeter não só ás datas comemorativas no dia 4 para a cantora, como também pode fazer alusão aos cantos do mundo, porque nota-se claramente a influência de diversas culturas em seu conteúdo.

A faixa Die Rather Young é épica e, em minha opinião, a verdadeira missão de Beyoncé escancarada. É absolutamente Jackson 5 + Aretha Franklin + música antiga, de elevador.
É ma-ra-vi-lho-sa, Beyoncé está em chamas nesta canção, como uma deusa em um som que não poderia ser cantado por mais ninguém nesta época.
Start Over tem cara de novela das nove, mas não deixa de ser boa por isso. É viciante também, lenta e com boa letra e melodia.
Já a oitava faixa, Love On Top, é fácil de gostar, melodia gostosa com uma voz que Meu Deus!
Cria também um ambiente nostálgico, acho que Beyoncé já está pronta para estar em todos os lugares.

A jamaicana Countdown faz parte dos experimentos deliciosos e malucos como Freakum Dress, Video Phone, Diva, Ring The Alarm, Run the World... é a primeira agitada do disco, com sample de Boyz II Men e uma contagem regressiva que faz qualquer um se matar de orgasmo. O seu "Oh, Killing Me Softly" remete à Lauryn Hill e mata de prazer a quem o escuta, pois A-VOZ-DES-SA-MU-LHER-TA-FO-DA.
E então a influência brasileira aparece em End Of Time, não há absolutamente ninguém que não goste dessa música. Além de super simpática, fica no caminho entre baladinha e batidão. Os saxofones, as cornetas estão lindos e as batidas são marcantes. A faixa é muito boa!
E então o disco desacelera para I Was Here, vindo como tema de filme ainda inexistente. Talvez essa faixa tenha sido colocada neste ponto para quebrar o batidão semelhante com Run The World (Girls).
Estranha pela primeira vez, viciante para quem escuta de novo. A faixa é alucinante e, apesar de estar jogada lá no fim, acaba com gosto de quero mais. Esta sim foi feita pra dançar, liberar a Beyoncé do B'Day e fazer as pazes com a Single Ladie que você conhece.

Álbum bom? Fato! Comercial? Talvez, mas há muita verdade em seu interior e isso mata de orgulho qualquer fã.

Pelo seu vazamento, há boatos de que os executivos da Sony estão querendo que Beyoncé retorne ao estúdio e grave outras músicas, planeje novo lançamento, nova data, outro disco. mas ela está batendo o pé até então... Bom, vai saber. Eu sempre achei a Beyoncé esperta demais para isso, pra mim, foi ela mesmo que vazou tudo isso, já com nova set list preparada, pra divulgar sua música (que é boa) e ver a repercussão dos que o ouviram. Ficarei muito feliz se for este disco o lançado, pois as músicas são mais que perfeitas e nega mostrou (mais uma vez)que sabe fazer música boa sem se render ao que está em alta hoje em dia... e não é pra menos, estamos falando da artista do milênio né!

Fecha a conta e passa a régua que eu vou ouvir o 4 pela 400ª vez...


[Best Thing I Never Had - 2º single já divulgado]

quarta-feira, 8 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Greve da CPTM e EMTU

Talvez hoje tenha sido o dia mais tenso do ano em São Paulo. Não caiu árvore, não teve tornado, nem vulcão explodindo, nem manifestantes evangélicos matando gays... o transporte público simplesmente parou!
Nenhum trem funcionou, alguns ônibus da EMTU também não operaram e o ABC também está parcialmente paralizado.
Escutamos todo tipo de coisa por aí, "um absurdo", "falta de respeito", "folgados", blá blá blá...

É realmente instigante a falta de bom senso de algumas pessoas. O ser humano, esse ser condicionado no mais fácil, cômodo, barato e metódico às vezes me surpreende em algumas atitudes.
Pois eu escutei todo tipo de coisa, e também sofri com essa paralização.
Andei da Estação Morumbi até Jurubatuba, a pé mesmo, de Ferrazópolis pra São Bernardo, de São Bernardo pra São Caetano e finalmente me preparo pra ir do computador para a minha cama. Gastei o equivalente a três dias pegando duas conduções e, além de exausto, com as pernas doloridas, sem dinheiro e sem conseguir ir pra faculdade, ainda tenho que escutar intolerâncias de algumas pessoas!

O que ocorreu na cidade foi uma coisa chamada GREVE. Os caras estão protestando contra os salários que julgam baixos (eu não sei quanto ganha um ferroviário/ motorista, e nem quero saber). O transporte público no Brasil é o mais caro do mundo, tudo bem que ampliaram as linhas, existem mais integrações e é o mais rápido em horários de pico. Movimenta-se, assim, mais funcionários para atender a demanda e com essa campanha sustentável, sendo finalmente enfiada na cabeça das pessoas, muita gente opta por pagar um trem à colocar mais um carro nas ruas. Com certeza, esses trabalhadores não estão sendo valorizados por quem os paga e muito menos por quem depende desse serviço! Talvez agora as pessoas percebam o quão importante é pegar o ônibus e um trem, e que os funcionários que nesta área trabalham também são seres humanos.

Não dá pra ter atitude burguesa, né! As pessoas precisam lutar SIM pelos seus direitos, da forma que encontrarem, eles tem que ser vistos pelas autoridades para elas notarem sua importância.
Andei, andei, andei e ando muito mais se for preciso, olhando pelo lado bom, além de caminhar cedo, receber vitaminas solares, exercitar o cérebro, ouvir mais músicas, ainda estou animado com a perspectiva das pessoas de mudarem sua visão manipulada e notarem que realmente se articulando, o que não está bom muda!

sábado, 28 de maio de 2011

Pichação é arte?


Pichar uma parede é na realidade um manifesto silencioso ao mesmo tempo em que é agressivo. Não é bonito (à primeira vista), incomoda e não é fácil de entender, todavia, brota da realidade, do tempo e do espaço em que o ser humano que o fez vive, é uma expressão remetente da liberdade e é um reflexo do homem daquele lugar... ora, isso tudo não é artístico?

Existe nas ruas uma disputa pela fachada mais alta, pelo status de mais admirável pichador, marcando seu alfabeto próprio e repleto de signos: consequência da divisão de classes, advindo do capitalismo e sincera adrenalina pelo status de ser o melhor e maior.

Penso que a pichação seja uma arte muito sincera. Porém, existe uma ética a ser discutida, pois a tolerância de qualquer um vai embora ao se deparar com "aqueles símbolos feios" no muro de casa.

O não entendimento da arte gera ignorância, que gera a banalização, e foi isso o que aconteceu. Hoje tem uma pichação em cada rua que passamos, ramo em que a pichação não respeita mais o espaço das outras pessoas. É como um bando de gente colocar nariz de palhaço e sair por aí destruindo as janelas das casas. Isso é anarquia infundada, não manifestação artística.

O moleque que achou aquelas letras interessantes, quer colocar o seu próprio nome naquele formato de signo e, então, sai por aí marcando seu território, sem pensar em ninguém e sem motivo aparente. Essa é a razão pela qual vemos garotos burgueses, sem razão alguma para aquilo, pichando os muros de suas escolas num ato de puro vandalismo.
Acontece que a pichação foi banalizada, que é o que acabou ocorrendo com outras formas de arte, porém, imagino que as pessoas não conseguem entendê-la porque vivem em sua própria época, o contemporâneo não é simples, nem sempre é bonito e nunca é fácil de entender (ainda mais em um país em que a maioria da população vê o modo de vida perfeito na tela da novela das nove). Outra porque também vem das ruas, de jovens pobres e sem voz no país, esta é a sua forma de expressão, um grito para dizer que eles existem. É uma arte folk que não deve ser levada como pichação pela pichação. Ao tempo em que eles mesmos cultuam uma arte, em seu próprio meio há os que banalizam-na.
Arte não tem a ver com vandalismo.

No todo, ao se referir a uma obra de arte, não se pode dizer que ela é feia (isso é ignorância), há de saber qual foi o motivo, a história de vida e deixar de lado a opinião pessoal antes de analisar qualquer coisa. Ninguém diz que o Abaporu de Tarsila é feio, ou O Grito de Edvard Munch ou os trabalhos de Peter Howson... há uma questão de entendimento, e como a pichação é algo novo e pobre... porque vamos entender né?

NOTA: Pichação é pichação e grafite é oooooutra coisa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Diário de Bordo #3

Como disse Gil "Tudo o que nasce é rebento, tudo o que brota, tudo o que vinga, tudo o que medra (...)". Pois é, nem tudo é arte, nem tudo é artístico!
Arquitetura, estilo musical, um quadro, não deixam de ser criações, são, portanto, rebentos, servem para alguma coisa, utilizam linguagens variadas, são trabalhadas e passam por um processo, porém, não podem ser apontados como arte.
A arte quer dizer alguma coisa, sempre. Uma música, por exemplo, quando não há sentido ou não tem a intenção de comunicar nada, só tem a venda ou a leviandade como interesse, não é arte. O que tem de arte em um prédio construído com único fim de abrigar moradores? Pois é arte significado humano, de forma abstraída, ligada ao tempo em que foi concebida. Fala sobre o homem e seu momento, e tal ação sensibiliza o espectador para compor a humanidade, a arte remete a alguma coisa.

A pureza de tudo é a arte como reflexo. De fato ela é um reflexo do tempo-espaço em que foi feita. O artista trabalha exclusivamente para a humanidade (HUMANIDADE, não capitalismo), e tem como intenção fazer o ser humano compreender claramente a necessidade e as relações essenciais entre o homem e a natureza e entre o homem e a sociedade, desvendando-lhe o enigma dessas relações.

A verdadeira arte tem como objetivo libertar o homem da insegurança, do pensamento viciado, e dessa sociedade fragmentada pela divisão de classes e trabalhos. Pois ela é um presente, portanto o artista não pode ser egoísta, ora, ele é aquele que transmite! E qual é a função da arte hoje em dia que não informar, transmitir, expressar e transformar?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sobre o Circo (Pesquisa)

O Circo foi em todo o seu tempo uma arte pura, surgida do povo para o povo, sem nunca se tornar uma arte elitizada, no sentido de entendimento ou leitura apenas para aquele que o estudou... não! Todos compreendem e sentem a magia do circo, e o que é arte se não houver magia?

Livra-se o circo de ser classificado como arte fácil, pois há claramente um processo tão complexo quanto as outras artes. A diferença do circo é sua capacidade de integração, tanto de si para com os outros meios, quanto dos outros meios para si. Falo do não preconceito da arte circense para com tudo aquilo que existe e que se utiliza da linguagem artística.

Ao tempo em que não é uma anarquia de conceitos ou valores, também não trata-se de uma estratégia comercial. É claro que existem formas de se utilizar da arte circense para outros objetivos que não o artístico, porém, no mundo capitalista em que vivemos fica difícil dissociar o circo daqueles caras que a usam para a venda, então, aí, o circo passa a ser um objeto de lucro, não mais arte, e todo aquele que absorve deste mundo mágico com únicos fins de vendê-la não é artista!
Há uma diferença assustadora entre vender sua criação e criá-la para vender.

Circo, ou você faz, ou você não faz, ou entende da técnica ou não entende. Não há como posar de circense se você não for um. Não tem como falar do circo sem experimentá-lo e, obviamente, na prática, pois não existem outras formas de fazê-lo.

Concorda?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Diário de Bordo #2

Quando eu digo que arte é inerente ao homem, está ligado a tempo-espaço, liberdade. Arte toca no íntimo, expressa os sentimentos humanos e os extrai a fim de fazer o homem perceber que eles existem. Abstrair a realidade para tornar o homem mais humano, é refletir, transformar. Não é feito para vender, não é marketing nem está ligado a capitalismo, socialismo, comunismo, ou qualquer outro pensamento político.

O significado humano dessa forma abstraída compõe a humanidade e é puro... Arte é reflexo, arte é a vida!

E, enquanto eu prossigo na minha incansável busca pelo significado de arte e sua necessidade, chega em minhas mãos um vídeo que sintetiza tudo que ouvi e concluí até agora, me levando a uma emoção indiscritível...

O que vocês acham? Estou certo na minha descrição ou falta algo?


O ser humano precisa humanizar-se novamente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Diário de Bordo #1

A cada dia que passa eu descubro mais o quão iNgnorante sou, não falo vaidoso pois não aceito da melhor forma essa descoberta tão interessante e rica.

Meu maior medo enquanto artista é o de parecer aquele cara grosseiro que "se eleva" por conta de sua arte que, querendo ou não, independe dele.

A arte está aí pro mundo, não importando o seu gosto ou suas considerações.


Então, ando meio amedrontado com elogios, apesar de precisar deles, ou com achismos externos que acabam modificando meu eu, apesar de precisar deles também.

Arte parece coisa de elite, mas todo ser humano, em suas ações, esbarra no conceito de arte, sem estar de fato fazendo arte, justamente por não saber o que ela é.
Espero que um dia eu consiga desenrolar esse nó que é o meu cérebro nesse momento, pois se você não entende nada, eu menos ainda!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tropicália ou Panis Et Circensis

Faz muito tempo que estou a fim de colocar algo sobre o disco Tropicália, mas não posso fazer uma crítica sobre ele, já que não vivi no seu tempo e não tenho referências verdadeiras para tal. A resenha a seguir é de Luiz Américo Lisboa Junior e seu site sobre os mais importantes discos da MPB.




O ano de 1968 como diz Zuenir Ventura, não acabou, isso porque os fatos que nele ocorreram estão até hoje por aí sendo estudados e referenciados, pois são de um significado tão grande que ainda não foram de todo mensurados. Entre os inúmeros acontecimentos marcantes daquele ano temos a revolta dos estudantes em Paris, a passeata dos cem mil no Rio de Janeiro liderada por artistas e intelectuais, a decretação do AI 5 e o lançamento do LP Tropicália ou Panis et Circenses, síntese de um movimento musical revolucionário que iria mexer com a cabeça de muita gente.

Liderando a Tropicália estavam os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, artistas e militantes culturais que iriam modificar a estética da nossa canção e propor uma discussão que teria como fonte inspiradora outro grande movimento cultural, a Semana de Arte Moderna de 1922. Vivíamos um período de profundas transformações e a juventude tomava as rédeas dessas mudanças, no campo musical o som mais ouvido daquele ano era um álbum gravado em meados de 1967 que estava fazendo muito sucesso pela sua concepção inovadora de não ter interrupção entre as faixas, simular efeitos sonoros de gravação ao vivo e incluir ainda citára, violino, orquestra e em algumas canções arranjos psicodélicos, tratava-se Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, um dos discos mais importantes de todos os tempos.


O Brasil respirava o clima dos festivais e sentia uma forte pressão da ditadura que tentava a todo custo calar a voz dissonante dos jovens que lhe faziam oposição, nesse contexto a rebeldia tropicalista tomava corpo e tornava-se o assunto mais badalado da época, faltava apenas o seu manifesto oficial que amadurecia a cada instante, e que viria se materializar na gravação de um disco, que além de Caetano, Gil, Gal Costa e Tom Zé, contava ainda com as participações especiais de Nara Leão e dos Mutantes.

Com produção de Manoel Berenbein e arranjos do maestro Rogério Duprat, incluía tiros de canhões, em "Coração materno", de Vicente Celestino, interpretada por Caetano Veloso, faixas ininterruptas, simulação de um jantar ao vivo em "Panis et circenses" e sons de rua em "Geléia geral", demonstrando nesses aspectos que o disco recebia forte influencia do trabalho dos Beatles. Seu repertório tinha por objetivo sintetizar o pensamento dos artistas tropicalistas e também do próprio movimento como um todo.

Gravado em maio de 1968 o LP trazia doze faixas, destacando-se "Parque industrial", de Tom Zé, título herdado de um livro de Patrícia Galvão, a Pagu, líder comunista e agitadora cultural nos anos vinte e trinta, onde temos um retrato bem satírico do Brasil, misturando, bandeirolas no quintal; céu de anil; aeromoças; jornal popular que não se espreme porque pode derramar; a lista dos pecados da vedete e o bordão "made in Brazil". Ao lado de "Geléia geral", de Gilberto Gil e Torquato Neto, formavam as músicas mais panfletárias do disco, sendo que esta última retrata o Brasil de forma alegórica, onde não faltam um bumba-iê-iê-boi; Mangueira onde o samba é mais puro; Pindorama, país do futuro; as relíquias do Brasil dentre outras representadas por uma doce mulata malvada e até um LP de Sinatra. A influencia aos intelectuais da semana de 22 esta no verso, "alegria é a prova dos nove" retirada do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade. Em "Lindonéia", de Caetano Veloso, canção feita a pedido de Nara Leão, inspirada num quadro de Rubens Gershman, temos um bolero com uma letra pessimista e não convencional, aliás, desconstruir o formal era uma das características do grupo, onde não faltavam imagens como, policiais, sangue e cachorros mortos nas ruas despedaçados e atropelados.

Em meio a tudo isso acrescente-se um jantar ao vivo em "Panis et circenses" incluindo na música a simulação de um disco interrompido no toca discos, dando um efeito muito interessante e que deve ter assustado muita gente, uma poesia concreta em "Bat macumba" e a celebração final com o "Hino ao Senhor do Bonfim".

A capa foi realizada em São Paulo na casa do fotógrafo Oliver Perroy que fazia trabalhos para a Editora Abril e a sua criação foi coletiva, todos davam sua opinião e no final um resultado característico daqueles tempos de "underground" a la Andy Warrol, com pitadas tropicalistas tupiniquins como o terno e a valise de Tom Zé, o penico nas mãos de Rogério Duprat segurando como se fosse uma xícara, o Sgt. Pepper, Gilberto Gil, a saia e o penteado caipira de Gal Costa, o retrato de formatura do curso normal de Capinan, a seriedade dos Mutantes, ou será os The Mammas & the Papas? A boina de Torquato Neto e o rosto solitário de Caetano segurando o retrato de Nara Leão. Na contra-capa o texto de um suposto roteiro cinematográfico escrito por Caetano Veloso onde os personagens são os próprios tropicalistas travando um diálogo confuso e irreverente que mistura Celly Campelo, Pixinguinha, Jefferson Airplane, a maçã, butique dos Beatles e João Gilberto.

Um disco verde amarelo, tropical, revolucionário, brasileiro, universal e eterno.

[Por Luiz Américo Lisboa Junior]

Tropicália é uma masturbação mental, fazendo chegar praticamente ao orgasmo quem o escuta. Disco revolucionário de verdade com incríveis letras e arranjos. Pra quem curte música:


[Mutantes - Panis Et Circensis]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Música de Ontem e a Música de Hoje

Estamos num mundo fonográfico absolutamente comercial, produtores ricos montam "meninos" bonitos e fazem "rock" pra eles cantarem, garotas com rosto aceitável e excepcionamente magras são financiadas pelos pais e cantam três ou quatro frases seguidas de um ritmo com intenção de ser chiclete.
Tudo é feito pra vender... e só! A concorrência aumentou, a ânsia de ser o melhor também, mas a qualidade diminuiu. Já foi o tempo em que analisávamos a letra das canções, a voz do intérprete, o modo como o arranjo soava, não importando o estilo musical.

Tambem não posso ser hipócrita e dizer que são ruins as coisas de hoje, não são! É impossível não se contagiar com alguns batidões contemporâneos, mas é que esse êêê, ohohohohohohohoh, me-e-e-e-e-e-e, hey hey hey hey hey, dá uma canseira na mente. Fora quando não nos deparamos com Jennifer Lopez usando instrumental de Chorando se Foi, dando a sensação de que nada mais novo surgirá.

Todo mundo quer inovar, mas na mesmice, até porque o vendável é o lixo (vide a popularização do funk), e isso me preocupa quanto ao futuro. Hoje em dia cultuamos os anos 70, 80 e 90. Será que amanhã alguém vai cultuar os anos 2000, onde quase todos se venderam pra indústria do "essa música em que pegar!"?

Sinto saudades de escutar Outkast nas rádios, sem as preocupações com as vendas, a que depende sua música pra ser tocada ou não. Ver na tv o lançamento de um clipe da Emma Bunton e não linkar a ela o temido termo flop, viver mesmo num tempo em que o lançamento de um cd era o lançamento mesmo, pra todo mundo, sem vazamentos ou previews na internet.

E pensar que Capital Inicial era febre entre os jovens, Renato Russo era o rei das letras, Skank, Jota Quest e Titãs faziam um tremendo sucesso, não eram só aberturas de novelas, Paralamas do Sucesso era uma banda respeitada e o nome de Cazuza ainda era falado, dá até um orgulho de ter pegado um pedacinho que fosse dessa geração. Pois, ontem, uns garotos falavam sobre Natasha, hoje outros garotos apostam um beijo que você os quer (Bléérgh!).
Hoje em dia as pessoas ainda tem coragem de definir coisas como Restart, Justin Bieber, Kesha e Rebecca Black como música atual, Deus me livre!

Este não é um post saudosista, de um cara bronco, insatisfeito com o mundo atual, até porque tenho 19 anos apenas e dou duro pra encontrar música boa e sair da mesmice, tendo, na maioria das vezes, que recorrer ao passado!

Pra matar a saudade:

[Capital Inicial - O Mundo]

Tem noção que em outros tempos tivemos Elis, Bethânia, Abba, Tina, Chico, Beatles, Gal, Gil, Caetano, Nara...? Que inveja de antigamente!